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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Isto faz cada vez menos sentido

Já deu para perceber que esta da "santa aliança" mexeu comigo. Primeiro porque leio o arrastão há anos e não sabia! Não gosto de surpresas. Depois porque também não imaginava que outros blogues que vou lendo com maior ou menor gosto, integram a coisa...ia dizer seita mas pareceu-me exagerado.
Ora bem, os próprios explicam que a santa aliança "é um agregador de blogues de política e cultura escritos por bloggers de esquerda organizado pelo Arrastão.
Primeiro ponto: a organização. Esta gente quer ser organizada...como num partido, numa empresa, em casa eventualmente, enfim, como numa qualquer organização clássica. Ora se assim é, para quê um blogue? Para expressar pensamento organizados? Mas esse filme já nós vimos. Depois: bloggers de esquerda. Ou seja, há uma esquerda. Uma. Apenas. A do Daniel Oliveira e do Pedro Sales, presumo, uma vez que são eles o arrastão que "organiza os agregados"...
Isto é só ridículo ou mete um bocadinho de medo? A mim, que sou de esquerda, mete-me medo, nunca lidei bem com alienados. Esta gente, os agregados daqui em diante, são carentes. Querem colo e organização. E onde a foram buscar? Ora, ao Bloco de Esquerda e ao senhores Daniel Oliveira e Pedro Sales. Como diria o João Gonçalves do Portugal dos Pequeninos: bardamerda! Se a "esquerda" é isto, então eu tenho que passar a dizer-me de esquerda mas da não agregada! E isto é chato e até rima, mas não tem piada.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

A direita em Portugal não existe! E isso é mau?

Este vai ser longo. Mas para já é só um anúncio de uma série de "postas" muito eruditas que hão-de vir. CDS, Atlântico e Cachimbo de Magrite, entre outros, são os responsáveis por aquilo que vai ser, a partir de dia 18 deste mês, uma análise profunda e absolutamente imperdível para quem quiser entender o actual espectro político - partidário em Portugal. Aqui, no Bolonhado, a partir de 18 de Setembro. Até lá!

sábado, 6 de setembro de 2008

Novo partido

Cada vez mais parece evidente que há condições minimamente objectivas para a criação de um novo Partido político em Portugal. Á direita. Disse-o aqui. As razões aduzidas são as mesmas. Acrescem estas. E estas. E outras que não consigo, por agora, linkar...

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Cinco minutos de fama

Se este fosse outro blogue seriam 15. Aqui é cinco minutinhos e não se queixem. O texto que se segue aborda uma questão central do debate político dos últimos cem anos. Por qualquer razão insondável, Santana-Maia Leonardo, Abrantes (dixit) remete esta profundíssima e bem elaborada tese acerca da "Direita versus Esquerda" para o caixote do lixo que são, entre outros fóruns as "cartas ao director" do jornal Público. Falta de marketing? Muito provavelmente. O bolonhado, consciente do seu papel social, passa a dar a devida divulgação ao texto que se segue. Foi, como já se disse, publicado na Público secção (?) Cartas ao director. É da autoria de Santana-Maia Leonardo, Abrantes, e pode muito bem vir a ser considerado texto de referência. Aí vai, com a devida vénia ao autor, naturalmente:

Direita e esquerda

"Deixando os radicais de lado, encontrar diferenças entre o centro-direita e a esquerda socialista não parece, à primeira vista, uma tarefa fácil. Mas, da minha experiência pessoal, recolhi os seguintes traços distintivos que passo a enumerar.
O centro-direita é conservador, reformista e prudente; por sua vez, a Esquerda socialista é fracturante, pretensamente revolucionária e lunática. O centro-direita não gosta do Estado; a esquerda socialista vive do Estado. O centro- direita prefere sacrificar a excepção do que sacrificar a regra; a esquerda socialista prefere sacrificar a regra do que perder a excepção. O centro-direita norteia-se pela ideia de liberdade, privilegia o trabalho, valoriza o mérito, tem uma consciência ética e preocupa-se com o ser humano; por sua vez, a esquerda socialista norteia-se pela ideia de igualdade, privilegia o emprego, premeia a mediocridade, tem uma consciência ideológica e preocupa-se com a humanidade. Para o centro-direita, quem produz mais e melhor deve ganhar mais; para a esquerda socialista, dois operários com a mesma categoria profissional devem ganhar o mesmo, independentemente da qualidade do trabalho prestado. Para o centro-direita, os homens são capazes do Bem e do Mal, cabendo à sociedade discipliná-los e orientá-los para o Bem; para a esquerda socialista, o Bem e o Mal são conceitos relativos. O centro-direita preocupa-se com a segurança das pessoas e bens, defende as forças da ordem e coloca-se ao lado das vítimas; a esquerda socialista preocupa-se com as garantias de defesa do arguido, tem sempre uma justificação sociológica para o crime e acha sempre excessiva a intervenção da polícia. Para o centro-direita, o primeiro responsável por um determinado acto é quem o pratica; para a esquerda socialista, o responsável é sempre e invariavelmente a sociedade ou o sistema.
O centro-direita avalia os regimes políticos de forma objectiva; a esquerda socialista avalia-os de forma subjectiva. Para o centro-direita, todos os homens são iguais; para a esquerda socialista, os homens de esquerda são dotados de uma superioridade moral que os coloca num patamar ético acima do resto da maralha. Para o centro-direita, os EUA são o principal aliado; para a esquerda socialista, são o inimigo a abater. Finalmente (ufa!) o centro-direita nunca se define como sendo de direita, enquanto a esquerda socialista proclama-se orgulhosamente de Esquerda.
Face a estas diferenças, extraem-se necessariamente duas conclusões: o povo português é, na sua esmagadora maioria, de esquerda; em Portugal, as pessoas de centro-direita são residuais. "
Santana-Maia Leonardo, Abrantes,
Público, cartas ao director, 1 de Setembro

Ora bem: daqui resultam variadíssimas questões. A primeira, saber se o autor é, ele próprio, do centro-direita ou da esquerda socialista, está respondida. É óbvio que o uso do hífen em "centro-direita" e a sua ausência em "esquerda socialista" nos dão uma pista clara. Colocamos sempre o adorno nas coisas de que mais gostamos.
Depois há um agradecimento a fazer: não tinha ideia de quão fácil era adoptar a "esquerda socialista" e rejeitar o "centro-direita". Assim preconizados os termos da equação, isto resolve definitivamente um debate que dura há séculos... Finalmente, só me ocorre a expressão: felizes os pobres de espírito pois deles será o reino dos céus. Como desconfio, pelo indício do hífen que Santana é conservador, imagino que esteja mais próximo de usufruir desta dádiva. Assim seja. É o que, penhoradamente lhe desejo!